Read Um Defeito de Cor by Ana Maria Gonçalves Online

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Fascinante história de uma africana idosa, cega e à beira da morte, que viaja da África para o Brasil em busca do filho perdido há décadas. Ao longo da travessia, ela vai contando sua vida, marcada por mortes, estupros, violência e escravidão. Inserido em um contexto histórico importante na formação do povo brasileiro e narrado de uma maneira original e pungente, na qual oFascinante história de uma africana idosa, cega e à beira da morte, que viaja da África para o Brasil em busca do filho perdido há décadas. Ao longo da travessia, ela vai contando sua vida, marcada por mortes, estupros, violência e escravidão. Inserido em um contexto histórico importante na formação do povo brasileiro e narrado de uma maneira original e pungente, na qual os fatos históricos estão imersos no cotidiano e na vida dos personagens, UM DEFEITO DE COR, de Ana Maria Gonçalves, é um belo romance histórico, de leitura voraz, que prende a atenção do leitor da primeira à última página. Uma saga brasileira que poderia ser comparada ao clássico norte-americano sobre a escravidão, Raízes....

Title : Um Defeito de Cor
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ISBN : 9788501071750
Format Type : Paperback
Number of Pages : 952 Pages
Status : Available For Download
Last checked : 21 Minutes ago!

Um Defeito de Cor Reviews

  • Lucas Silva
    2019-04-21 12:24

    A intenção não era lê-lo tão breve assim, principalmente pelas suas 952 páginas. Tantas coisas na fila de leitura, um livro desse tamanho poderia ocupar todas as férias da faculdade. E foi o que aconteceu.... Mas sem arrependimentos, bem o contrário, as últimas páginas posterguei o que pude para não me separar da personagem.Com o livro em mãos e, após ler o incrível prefácio, não consegui largar. Essa imensa história, que percorre mais de oitenta anos da vida de uma africana ex-escrava na Bahia, surpreendeu principalmente pela reconstrução histórica da formação social, cultural e religiosa do Brasil. Senti como se estivesse revisitando fatos que já haviam sido contados por outros autores de ficção e não-ficção como Sérgio Buarque de Holanda, Gilberto Freire e Darcy Ribeiro, porém com proposta bastante distinta, até porque, como diz a autora no prefácio, o texto original pode realmente ser de uma ex escrava que decidiu deixar o relato para um filho de quem foi separada ha décadas. Leitura incrível e super importante para mim!

  • Vanessa Hack gatteli
    2019-03-25 12:39

    Não sei se eu acabei esse livro ou se esse livro acabou comigo.

  • Newton Nitro
    2019-04-14 11:40

    Um romance é capaz de conter toda a vida de uma pessoa, com suas complexidades, paradoxos, contradições, alegrias e tristezas? Um romance é capaz de conter toda o sofrimento de um povo? Se você ainda tem dúvida, leia "Um Defeito de Cor", esse já clássico da literatura brasileira, um romance tão maravilhoso como necessário, escrito pela Ana Maria Gonçalves, que considero uma das melhores escritoras que ja li na minha vida.Um romance cosmogônico, uma saga impressionante e muito bem escrita, um clássico da literatura mesmo sendo tão recente. Não conheço outro livro semelhante na nossa literatura que seja tão épico, tão extenso e que trate de maneira tão sensível e íntima o ponto de vista feminino da tragédia e dos horrores da escravidão no Brasil, o nosso imenso Holocausto, que sempre foi insuficientemente estudado e discutido pelo nosso péssimo sistema educacional.Defeito de Cor é uma história de origem contada pelo ponto de vista de Kehinde, uma africana arrancada da região de Daomé, na África e levada como escrava para o Brasil. Toda a narrativa é feita dentro da premissa de Kehinde contando sua história pessoal, desde sua infância até sua velhice, uma história que vai sendo transcrita por uma de suas amigas para ser entregue ao filho, agora adulto, que foi tirado quando criança dela enquanto estava no Brasil. Essa estrutura é muito interessante, pois transforma o leitor no filho de Kehinde, me senti como se a narradora falava diretamente para mim, e de certa forma, todos os brasileiros são "filhos de Kehinde".A técnica narrativa usada foi a do discurso indireto em primeira pessoa, que funciona muito bem em romances históricos, torna a exposição de contexto histórico mais natural. Gostei demais do estilo de Ana, conciso, sem muitas firulas, linguagem direta e enganosamente simples, ao mesmo tempo que a oralidade do texto cria efeitos poéticos no leitor. Eu engasguei e me emocionei muitas, mas muitas vezes durante a leitura desse tijolão, o que eu adoro, quem vem aqui no blog sabe, curto livros gigantescos, e "Um Defeito de Cor" tem quase mil páginas! E olha que terminei o livro querendo mais, querendo que Kehinde continuasse suas infinitas histórias; essa Sherazade de Daomé. Outra coisa que amei foi a força de Kehinde, isso é que é protagonista, fortíssima, inspiradora, valente, perseverante, fantástica, uma bela adição para o rol de personagens da literatura brasileira.E esse é um romance com muita exposição, mesclando a história pessoal de Kehinde com fatos históricos, revoluções, com quase uma enciclopédia de cultura afro-brasileira, um glossário maravilhoso e um guia para as diversas matizes das religiões africanas e suas variações brasileiras, tudo sob o ponto de vista de Kehinde e dos negros brasileiros e africanos do período colonial e imperial no Brasil, um ponto de vista que quase nunca mereceu a atenção necessária. O livro revela a grande lacuna e falha na história tradicional do Brasil que omite todas as incontáveis rebeliões de escravos que sempre aconteceram durante a escravidão brasileira, uma omissão criminosa na nossa educação.E a questão da escravidão é mostrada em toda sua complexidade, não existe maniqueísmo no livro, com brancos cruéis ao lado de brancos que se empatizam e até lutam pela liberdade dos negros. No lado africano, temos expostos a brutal realidade tribal africana, a sanguinolência das disputas tribais, a tirania dos chefes de tribos e dos reis africanos, fazendo sua parte dentro do horrendo comércio de escravos.Outro aspecto interessante é o mergulho no ponto de vista da espiritualidade afro-brasileira, com seu sincretismo e com o modo poético de experimentar a vida, com os voduns, orixás, eguns, e outras forças vindas do orum para guiar, aconselhar, proteger e orientar cada passo. Fiquei até com um desejo impossível e romântico de vivenciar essa visão mistica da vida, que parece encher tudo de mistério, de sinais e sinas, de significado e sentido, mas para isso tenho a literatura, para viver outras vidas, ver outras realidades e me emocionar com a beleza sofrida da experiência humana.Agora fica um aviso, o livro é também muito sofrido, muitas passagens bem dolorosas e cruéis, bem tristes, de encher de vergonha e de revolta pela escravidão no Brasil, essa parte horrenda da história de nosso país, uma tragédia que deixa marcas e consequências até hoje. Precisamos de mais livros como "Defeito de Cor", muitos outros livros como esse. É uma pena que ninguém mais lê, que as pessoas lêem cada vez menos, uma pena mesmo.Fica a dica do livro, vale cada linha, cada palavra, e espero que como eu, você se apaixone por Kehinde. Ah, como é bom ler um livro assim, daqueles que marcam a gente para sempre!ANOTAÇÕES FEITAS DURANTE A LEITURA (PODEM CONTER SPOILERS)Narrativa segue o amadurecimento do narrador, comeca trágico.A brutal realidade tribal africana, das disputas tribais, e o medo da feitiçaria que gera violência contra mulheres velhas e sábias, curandeiras, etc.Visão de mundo mítica, oa mortos são tão importantes quanto os vivosA violência e o horror da travessia, dentro do ponto de vista da Kehinde.Técnica Narrativa - pov de primeira pessoa, descrições diretas e concisas, voz muito pessoal e forte.Protagonista fortíssima.Descrições maravilhosas, e um pov sem melodrama, o que aumenta a tragédia.As histórias dos negros, os mitos tradicionais unindo tribos.Ponto de vista imerso na espiritualidade africana, maravilhoso.O dia a dia daa escravas que serviam dentro da casa grande, o medo constante da punição, e progressiva colonização cultural, a mudança do olhar, a violência do esquecimento das raízes.A vaidade pessoal de Kehinde como uma estratégia de resistência.Sincretismo religioso como estratégia de resistênciaO horror das fugas e a hipocrisia da igreja da época.A importância dos musurumin, is africanos muçulmanos na resistência cultural e psicológica.O quilombo como um sonho de vida livre, como esperança.Conventos, a opressão sobre as mulheres brancas, patriarcado colonial. Estratégias de sobrevivência, Kehinde é fantástica, inteligente, criativa. Uso do comércio como um caminho para a liberdade. Dinheiro como a única opção de liberdade social, mesmo que ilusória, sem violência.Livros e a leitura como o caminho para a libertação da alma.A sinhá de Kehinde é um monstro, e o mais assustador é que sua personagem segue a consequência natural do racismo colonial.A religião africana como proteção psicológica contra o assalto cultural do catolicismo colonial.Religião mudando no contexto brasileiro.Oralidade e capítulos bem delineados tornam a leitura deliciosa, e gente fica querendo que a história não acabasse nunca.Mesmo com tanta injustiça e angústia, a narrativa alterna com momentos de paz, amor, alegria e amizade, que me emocionaram muito.O romance clássico de nascimento.Símbolos recorrentes : riozinho de sangue, a cobra misteriosa que surge em momentos chaves da narrativa, a presença dos orixás e voduns.Kehinde, empreendedora, usa seu dinheiro para livrar outros escravos.Uma das histórias dos escravos, da mãe que mata os filhos por desespero me lembrou Beloved de Toni Morrison.Kahinde tem muitos elementos do arquétipo do Trapaceiro, em uma versão feminina diferente da Sedutora, mais próxima do Ladino, quebrando o topo tradicional.Registro dos rituais e cultos dos negros das diversas culturas que viviam na Bahia no período, um registro fascinante.A partir de uma parte do romance, a narrativa é feita em primeira pessoa mas se dirigindo ao leitor em segunda pessoa, como se o leitor se transformasse em um dos filhos de Kahinde, adorei! :)Kahinde tem espírito empreendedor, uma energia incrível, invencível, a encarnação da força de vontade imbatível do povo africano.Técnica narrativa - capítulos curtos encerrados com ganchos tipo "o pior ainda estava porvir"Técnica narrativa - exposição feita por meio de contação oral, ajudada pelo fascínio das informações e do desejo do leitor em conhecer a cultura africana.Kehinde se transforma em uma heroína épica, eternamente em sua buaca pela felicidade.A terceira e última parte do romance se passa no Rio.I romance tem um necessário tom didático sobre o cotidiano brasileiro do século 19 do ponto de vista dos pretos.Belissimas descrições da capoeira, arrepiei e me lembre dos muitos anos que joguei capoeira, saudades.Quase no final do livro - estou apaixonado por Kehinde, acho que o leitor não tem outra escolha senão se apaixonar por Kehinde.Espiritualidade africana muito ligada ao inconsciente, ou melhor, em uma leitura jungiana, eles são os mestres da interpretação dos movimentos do inconsciente coletivo.Na última parte, a amoralidade do comércio, inevitável para a sobrevivência no período.Ex-escravos retornando para África e se tornando mercadores de escravos.Rivalidade entre is Retornados e os Africanos, muitos que eram enviados para a África forçados, imploravam para voltar ao Brasil, meamo em condição de escravo.A brutalidade e a ação coruptora da miséria e das gueras tribais constantes na Africa da época.No Brasil, os escravos tentavam manter as raízes africanas, os que retornavam para a África, tentavam manter os costumes brasileiros.Histórias dentro de histórias, uma biblioteca de histórias do ponto de vista dos negros africanos e brasileiros.O livro tembum lado glossário de termos da cultura africana e afro-brasileira.Uma das espinhas principais da narrativa é uma rara visão "de dentro" da espiritualidade africana, base do nosso sincretismo, uma religião mais próxima da arte, da criação e criatividade artística.O choque de Kehinde ao ver os rituais de sacrifício humano na África para a celebração fa morte de um quase-rei mostra a influência da cultura cristã nos africanos retornados para a Africa do Brasil, é o processo sem fim de influência cultural entre os povos.No final do livro, na relação entre Kehinde e sua filha ilustrada na França, mostra os problemas das mulheres que tinham cultura na época e sua solidão, pela rejeição dos homens machistas.

  • Felipe Vieira
    2019-04-19 13:16

    OBRA-PRIMA. Um Defeito de Cor é um dos livros que eu sempre quis ler. O livro que narra com emoção, paixão, sofrimento, verdade sobre a situação dos africanos e negros brasileiros no período escravocrata que o nosso país viveu. Ana Maria Gonçalves vez um trabalho magnífico. Não tem como duvidar disso. A história narra a vida da africana Kehinde que foi captura em Uidá e acabou tornando-se escrava no Brasil. Ela chega ainda criança e vai para uma fazenda de engenho em Itaparica na Bahia. E vamos acompanhando toda a sua vivência na Bahia e em vários outros locais do antigo império brasileiro. Kehinde é uma personagem forte, resistente. Uma mulher inteligente, sabia, bondosa. Não tem como não se apaixonar ou torcer por ela. Um Defeito de Cor é um livro que narra a história do Brasil de maneia esplendorosa. Há inúmeras informações históricas presentes em todo o decorrer do livro. Acontecimentos ligados aos negros, aos brancos portugueses e outros estrangeiros. Há também inúmeras informações sobre as religiões africanas. Os seus costumes, os nomes, origens, rituais. É imensurável o quanto enriquecedora é a leitura dessa obra. Muito mais enriquecedora que aulas de História sobre o mesmo período ministrada nas nossas escolas. Tudo é narrado de forma extremamente detalhista. Tanto a parte histórica até a ambientação de uma cozinha, por exemplo. Acredito que é uma forma da Ana Maria nos fazer sentir muito mais próximos do momento narrado. No entanto, creio que enumerar e identificar pratos e talheres muitas acaba de certa maçante. Mas apenas nesses momentos de ambientação porque o restante de cada momento é extremamente válido e necessário. Os pontos altos dos livros, na minha opinião, são: a representação das várias origens e etnias dos negros que vieram ao Brasil para serem escravizados. A autora mostra de forma clara o que os identificava, as suas atitudes. É essencial frisar essa diferença e mostrar o quão diverso e rico é a cultura africana que recebemos. As religiões de matrizes africanas com seus orixás são bastante demonstrados e nesse momento vemos como surgiu o sincretismo no Brasil. É absurdo e fascinante ao mesmo tempo. Outro ponto alto é a importância dos negros em relação à luta pela liberdade que sempre esteve presente e que não foi um presente dado pela princesa. As revoltas populares na Bahia são provas disso tudo. Os momentos da volta para África e forma como os regressos se comportavam ao voltar para a terra mãe é interessantíssima. Eu mesmo não conhecia nada.Um Defeito de Cor é a aula de História sobre o Brasil negro que eu nunca tive em nenhum lugar em toda a minha vida. Provavelmente nunca teria se não tivesse corrido atrás já que ainda temos um déficit em relação ao assunto nos currículos escolares. É uma história que não exagera e nem camufla nenhum dos lados. Há os problemas tribais e também os brancos que eram contra a escravidão. A escrita da Ana Maria Gonçalves é simples e de fácil compreensão sem firulas, mas é de uma paixão e clareza impressionantes. Até mesmo essencial porque é um livro grande e com várias informações. Tantas que nem conseguir enumerá-las por aqui. É mais um livro que eu gostaria que todas as pessoas lessem, que se tornasse obrigatório nas escolas e que virasse filme ou série. É uma obra-prima sobre o negro no Brasil. Essencial.

  • Clarice Scotti
    2019-04-04 08:25

    se você só puder levar um livro pra uma ilha deserta, leve este! é um romance histórico, é uma biografia arrebatadora, é uma grande carta de uma mãe para um filho contando sua vida – e que vida! kehinde foi capturada aos sete anos na cidade de uidá, em daomé, áfrica, e despachada num navio negreiro para ser escrava na bahia. mais de 80 anos depois, faz a mesma viagem, e durante o trajeto revê tudo que viveu e registra essa história, com todas as suas tragédias e alegrias, sem meias palavras. segundo a autora, ana maria gonçalves, o relato é real, resgatado de manuscritos encontrados por ela na ilha de itaparica, com apenas algumas lacunas preenchidas por sua imaginação. a vida de kehinde é fascinante do início ao fim, mas a narrativa fica ainda mais envolvente quando ela nos apresenta seu testemunho sobre os momentos históricos de que participa, tanto no brasil quanto na áfrica, e sobre curiosidades das diversas culturas, africanas e brasileiras, que conhece e vivencia. tudo com o tempero extra de ser um retrato preciso de uma época por um olhar nada convencional, o da mulher, negra e escrava. um épico, uma obra prima!

  • Quijote Cocinando
    2019-03-25 10:18

    Deveríamos ler esse livro na escola, espero que algum dia seja!

  • Fabio Augusto
    2019-04-08 11:28

    Um defeito de cor é um livro muito bom e vale a pena lê-lo, apesar das suas mil páginas. Tem tudo pra ser um clássico brasileiro. Tem muitos prós e apenas um contra.O livro conta a história de uma africana que vem como escrava ao Brasil. A vida da protagonista Kehinde é riquíssima e a autora a aproveita pra contar passagens importantes da história do Brasil de um ponto de vista diferente, como se fosse uma História da Vida Privada dos escravos no Brasil. É muito legal ler sobre passagens que decoramos – pra esquecer logo após a prova – como a noite das garrafadas, a revolta dos malês e as etapas do processo que culminou na abolição da escravidão no contexto da vida das pessoas que ali estavam. Só por isso o livro já vale a pena.O principal atributo do livro é mostrar a escravidão em detalhes e na visão do escravo. Pra mim, foi a leitura que faltava pra eu entender de uma vez por todas o que é o tal lugar de fala. Depois de ler esse livro, acho difícil alguém ainda achar que lugar de fala é mimimi. Por outro lado, a autora não endeusa ninguém. Mostra brancos e negros com suas qualidades e defeitos de seres humanos. De brinde, dá uma aula sobre regiões da África que formaram nossa população, as relações entre as pessoas por lá e a conexão entre os dois continentes. O livro tem um ritmo bom. A história é muito interessante como romance, as personagens são críveis e a Kehinde é cativante. Porém, são mil páginas e é difícil manter a pegada num livro tão grande. Em geral, os livros de 500 ou mais páginas que li começam mornos, dão uma enrolada no meio e esquentam muito no final, deixando a impressão de que o autor queria me segurar por ali. Um defeito de cor vai na direção oposta. O livro começa quente, pega fogo bem antes da página 100 e em algum momento lá pela metade perde um pouco de vigor. Ainda é bom de ler, mas não tem como comparar com o começo de obra-prima sem se decepcionar um pouco. Alguém escreveu que esse livro deveria virar aqueles clássicos que lemos na escola. É verdade. Muitas das discussões propostas são fundamentais e acrescentam muito mais que um monte de coisa que a gente lê durante a adolescência. Só não sei como vão colocar um livro tão grande na grade de estudos. Mas que esse livro tinha que rodar por aí pra ser discutido, não há dúvida. Tomara. Última dica: a autora faz uma explicação primorosa das religiões de matriz africana, o que é muito legal pra desmistificá-las e mostrar que há mais semelhanças do que diferenças entre o que europeus e africanos têm como religião. Só que o meio do livro é recheado de descrições intermináveis dos cultos e a coisa toma ares de pregação misturada com a pretensão de que o livro seja um catálogo de práticas religiosas, fugindo muito da proposta inicial. Como eu li no Kindle, quando já tinha pego o espírito da coisa, fiz o seguinte: quando via que as descrições não tinham relação com a história, batia o olho na página e passava para a próxima até que a história fosse retomada.

  • Arthur Santos
    2019-04-11 06:23

    História épica, de uma menina que foi escravizada na África e trazida para o Brasil. No trajeto, perdeu sua família, mas manteve o gosto pela liberdade.Superou a escravização, apesar dos vários obstáculos no caminho.É um livro prazeroso de ler, que consegue prender a atenção do leitor por todas as suas 950 páginas.