Read quatro novelas by Ana de Castro Osório Online

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Este livro foi convertido de sua edição fÃsica para um formato digital por uma comunidade de voluntários. Você pode encontrá-lo gratuitamente na web. A compra da edição Kindle inclui a entrega imediata electrónica.Este livro foi convertido de sua edição física para um formato digital por uma comunidade de voluntários. Você pode encontrá-lo gratuitamente na web. A compra da edição Kindle inclui a entrega imediata electrónica....

Title : quatro novelas
Author :
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ISBN : 22322828
Format Type : Kindle Edition
Number of Pages : 140 Pages
Status : Available For Download
Last checked : 21 Minutes ago!

quatro novelas Reviews

  • Joana
    2019-05-06 20:14

    Fantástico como um livro escrito há mais de cem anos ainda nos consegue tocar tão profundamente, pelo menos a mim. Dá para perceber que, na sua essência, o ser humano não muda quase nada, ao longo do tempo. As primeiras duas novelas são mais pequeninas, e se calhar por isso não me agarraram tanto. Das duas últimas gostei imenso, sobretudo da última.

  • Cristina Torrão
    2019-05-03 20:10

    Esta obra, publicada pela primeira vez em 1908 e que descarreguei gratuitamente no Projecto Adamastor (caso contrário, dificilmente entraria em contacto com ela), foi uma excelente surpresa. Não tanto pela qualidade literária, que não é fora do comum, mas pela importância que tem na História da nossa literatura.Infelizmente, a literatura escrita por mulheres só começou a ter mais significado nas últimas décadas. Ana de Castro Osório viveu de 1872 a 1935, um período de tempo em que só se costuma destacar uma escritora portuguesa: a poetisa Florbela Espanca. E, no entanto, quão importante é conhecer o que produziu a pena guiada por mão feminina; conhecer os dramas das mulheres numa civilização pensada quase só para os homens!Na novela A Feiticeira, Ana de Castro Osório mostra-nos como a sociedade do seu tempo castigava as mulheres alegres e sensuais. O jovem Manuel, dividido entre duas moças, a Teresinha recatada e a Maria extrovertida, embora mais inclinado por esta última, acaba por se decidir pela primeira, influenciado pelas intrigas da sua aldeia, que o fazem acreditar que Maria é feiticeira. Ana de Castro Osório não condena nem uma rapariga nem outra, limita-se a apresentá-las, porque, afinal, ambas são vítimas da sociedade. E, enquanto Teresinha é recompensada, fazendo-se esposa do rapaz mais cobiçado da terra, o desgosto e as intrigas destroem Maria, que se torna precisamente naquilo em que a fazem acreditar:«A Maria, agora feiticeira conhecida e apontada por todos, já não canta nem vai às romarias.Nos trabalhos do campo, as mulheres e as crianças afastam-se dela apavoradas, e os homens lamentando-a, não têm coragem de vencer esse pavor.Um brilho ardente de febre queima sempre os seus lindos olhos negros, que vagueiam inquietos, num medo doentio e trágico.Atormentada de visões, mordida de maus-olhados, meses inteiros presa de delírios histéricos, sente-se, na verdade, transportada nas asas do vento para sítios ermos [onde] (…) olharapos, duendes, lémures e trasgos povoam as noites horríficas de sabbat».Em Diário de uma Criança, conta-se como mais uma menina extrovertida e alegre, que até se atreve a montar a mula como os rapazes, é, a partir de certa altura, submetida a uma disciplina de ferro, longe dos pais, que se deixam levar por quem diz que a filha não se comporta convenientemente. A criança passa anos de amargura numa casa em que é tiranizada.A novela que mais me impressionou, porém, foi Sacrificada, em que Manuela, uma jovem de boa família, engravida solteira e é banida pela própria mãe. Dá à luz uma filha num casebre abandonado e vê-se depois obrigada a separar-se da bebé, a fim de entrar num convento, pois a família quer anular aquele membro vergonhoso. O sofrimento de Manuela torna-se palpável, na escrita de Ana de Castro Osório, que nos põe em contacto com a vida das outras freiras, quase todas igualmente sacrificadas:«Foi Soror Cláudia a última a deixar a vida, que tão dolorida lhe fora; foi ela, a pobre louca, quem fechou, como um ponto final simbólico, mais um período de história feminina, tecida de sacrifícios e servidões e ilusões profundas, e sem um fecundo e nobre e belo ideal de vida!Ali ou na família pouco diferia, pouco mais era que esse decorrer estirado de anos partilhados entre pequenos deveres, insignificantes trabalhos, apagadas alegrias e supliciantes sacrifícios a que ninguém prestava atenção, tão naturais são aos servos e aos inferiores».Quando Manuela finalmente conhece a filha, já adulta, algo que ela pensa ser uma consolação final para o sacrifício que levou a cabo, constata que as duas, separadas uma da outra, não passam de desconhecidas, com feitios totalmente opostos e inconciliáveis. Manuela apenas encontra a paz na morte.Nesta novela, Ana de Castro Osório critica igualmente a educação dada às meninas, com o objetivo de as deixar mal informadas, julgando-se ser esse o melhor remédio para seguirem o caminho que se lhes destina. O contacto com a realidade é, porém, doloroso:«as horas que passara ali sozinha, idealizando um futuro de poesia e de romance, como o idealizam sempre as mulheres que uma educação racional não preparou para entrar na vida pela porta ampla e sem mentidos encantos da realidade».Ana de Castro Osório mostra também sensibilidade para as agruras da infância:«nesses tão magoados desgostos infantis que todos desprezam e são talvez os mais violentos e os mais desesperadores de toda a vida» (em A Vinha).«Ah, como se sofre quando se é criança, quando ninguém respeita a nossa dor e a nossa vontade, quando decidem do nosso querer como se fôssemos títeres animados por maquinismo industrial» (em Diário de uma Criança).Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco e outros escritores escreveram igualmente sobre o sofrimento feminino. Porém, os excertos que aqui publiquei provam, na minha opinião, que faz falta a visão feminina, a fim de conhecermos os dilemas humanos em toda a sua amplitude. Um homem dificilmente escreveria, principalmente em 1908, sobre a «indulgência da sociedade para com as leviandades do homem transformadas em crimes para as mulheres» (em Sacrificada).Não me admira que a Ana de Castro Osório não fosse dado um destaque igual ao de outros escritores, pois, como feminista, pioneira em Portugal na luta pela igualdade de direitos entre homem e mulher, deveria ser muito incomodativa no início do século XX.Descubramos as escritoras que foram mantidas num quase anonimato! Há muitas, infelizmente. E depois vêm homens, ainda no nosso século XXI, como um tal eurodeputado polaco, dizer que a prova de que os homens são mais inteligentes do que as mulheres é haver muitos mais homens escritores, cientistas, inventores, etc.!Quanta ignorância! Quanto ainda há por fazer…